Monday, August 3, 2009

Co-produção cinematográfica é tema de diálogo no BRAFF

O BRAFF (Brazilian Film Festival) em Vancouver trouxe, além das produções selecionadas, dois diálogos sobre a produção audiovisual e o intercâmbio cultural entre o Brasil e o Canadá.

A primeira sessão abordou o tema “co-produção: o futuro”, e discutiu os rumos da produção associada entre países, o mercado e os incentivos fiscais para este tipo de produção.

Bruno Barreto, um dos convidados, que participa desta edição do festival com o longa “Última parada 174”, acredita que a globalização fortaleceu a industria local de filmes e os grandes estudios estão investindo nessas produções. Seu próximo filme, o drama “A arte de perder”, referente ao período da vida da escritora Elizabeth Bishop em que ela vive no Brasil é fruto de uma co-produção.

Bruno acredita que o fato do filme ser gravado em inglês não interfere na sua característica cultural, apenas facilita a sua distribuição no mercado internacional. Iain Smith (Children of men) diz que há uma linha tênue a ser observada. “O filme Slumdog millionaire ("Quem quer ser um milionário?") é um excelente filme sobre a India, mas não retrata o cinema indiano”, assim como “O último rei da Escócia”, na minha opiniao, não retrata a Escócia”

Questionado sobre a idéia do cinema brasileiro trazer uma má associação para o Brasil, Bruno coloca que “um bom filme é um bom filme”, não importa qual seja o tema abordado. “A violência é apenas um dos aspectos do nosso cinema, eu mesmo fiz “Última parada 174”, como também fiz “Bossa Nova”, como também fiz “O que é isso companheiro”... isso é relativo, não acredito que prejudique nossa imagem”.

Adriana Dutra, da Inffinito Produções, acredita que investir no cinema é uma excelente forma de promover um país e que os Estados Unidos já o fazem há anos, mostrando diversos aspectos de sua cultura, mas ressalta que é preciso tempo para que o cinema regional defina a sua identidade.

Bruno acredita ainda que a exibição do cinema brasileiro em um país multicultural como o Canadá seja uma grande janela para o cinema brasileiro. “Os canadenses adoram cinema, têm uma das maiores taxas de ocupação do mundo na relação de exibições e assentos ocupados”. O festival em Vancouver, na costa oeste, atinge ainda um grande público asiático, uma das principais populações de imigrantes que vivem na província de British Columbia.

Um filme recente que foi fruto de uma co-produção entre o Brasil e o Canada é o filme Ensaio sobre a cegueira (Blindness), dirigido por Fernando Meirelles, que foi filmado e co-produzido em diversas cidades, incluindo São Paulo e Toronto.

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